Julgar ou orientar

07/03/2020

Por Pe. Frei Marcelo Aquino, O. Carm

Nos tempos modernos virou moda às pessoas apegadas aos seus erros acusar quem queira ajudar a corrigi-los de está "me julgando". Boa parte dessas pessoas não tem o pleno conhecimento do que vem a ser um julgamento, e falam somente num tom de vitimismo.

A obrigação de quem tem o conhecimento da verdade é passar para frente, as pessoas que estão em erro. Aquele que por ventura perceber que, por exemplo, um católico que diz que não confessa com um padre, mas que confessa diretamente com Deus, o católico convicto de sua fé, tem obrigação de fazer o outro entender que isso é mentalidade protestante e não católica, e, portanto, quem pensa assim precisa se converter.

Outro exemplo, se um católico pensa que não existe nada de mais passar a mão no ostensório na hora que o padre passa com o santíssimo sacramento, também é obrigação de quem sabe, informar ao que pensa assim, que isso é um sacrilégio, pare para pensar, se o sacerdote que consagra o corpo e sangue de Cristo, não pode pegar o ostensório diretamente com as mãos, como é que o leigo pode? Será que alguém tem alguma noção de lógica?

Pois é, a barreira que encontramos quando tentamos ajudar nossos irmãos na fé é a acusação de que estamos julgando, e dizem só Deus pode me julgar, ou seja, para não ser acusados de julgadores, devemos deixar a pessoa no erro.

Uma coisa que precisa está sempre nas nossas mentes é o seguinte, quando ensinamos uma coisa, não significa que somos perfeitos, pois perfeito é só Deus, mas quando ensinamos uma coisa, estamos exercendo nossa obrigação, ninguém aprende as coisas para guardar para si.

O desejo de orientar uma pessoa numa questão, sobretudo numa questão de fé, é também um ato de misericórdia, pois desejamos que o erro seja corrigido, como por exemplo, uma pessoa conseguiu conscientizar a uma catequista de que não se deve fazer coreografias dentro das missas, pois a Santa Missa não é um espetáculo, não é um teatro, não é um divertimento, mas é o Sacrifício de Cristo Jesus. Ao conseguir este feito, aquela pessoa teve dois ganhos, um que a catequista conseguiu perceber que aquilo não condiz com a santa Missa, e outro que ela não vai mais levar os catequisandos a realizar aquele ato inadequado na Santa Missa.

Se a vida do católico não consistir em orientar a vida dos outros e a dele mesmo, ela será uma vida inútil. Do que adianta sabermos alguma coisa e não colocarmos em prática, o que adianta você saber ler, se você não ensina uma pessoa que não sabe e deseja aprender?

Se nossa vida não for colocada a serviço dos irmãos nos vários aspectos, ela não é digna de ser vivida. Deus espera isso de nós, não decepcionemos a Deus. Sempre que possível mostre as pessoas que julgar e orientar não é mesma coisa.

Orientar as pessoas no caminho está na linha do amor e da justiça. Só quem está aberto às inspirações de Deus consegue perceber isso. Nosso Senhor Jesus Cristo veio até nós para nos orientar para Deus, Ele orientou até o extremo dando sua própria vida por cada um de nós, devemos fazer o mínimo por Ele, levando as pessoas a enxergarem nEle o nosso salvador.

Para termos forças para enfrentar todo tipo de vitimismos no momento em que tentamos mostrar a uma pessoa que o jeito de pensar dela está errado (se de fato estiver), precisamos nos alimentar nas fontes da oração, pode parecer que bato muitas vezes nesta mesma tecla, mais é isso mesmo, não deixemos a oração pessoal de lado, e assim vamos conseguir instrumentos necessários para poder levar a frente nosso intento.

A profunda inclinação para a vida de oração também é uma orientação para nossos irmãos, muitas vezes nosso rezar, leva outras pessoas a rezarem também, ao passo que nosso mau testemunho também pode levar muitas pessoas a enveredarem no caminho do erro, nunca caminhe só, peça o auxílio da santíssima Virgem Maria.