O pecado, o vício e sua diferença

19/02/2020

Por Pe. Frei Marcelo Aquino, O. Carm

Eis que se nos apresenta mais este espinhoso tema. O pecado, o vício e sua diferença.

Para início de conversa se faz necessário refletir sobre a problemática da falta de consciência a respeito do pecado. Muitos levados pela ausência de consciência do pecado fazem os problemas espirituais aumentarem sem controle, pois, a não busca de uma maior intimidade com Deus consequentemente, a luta contra o pecado na verdade não existe, pois, quanto mais se ama a Deus, mais se odeia o pecado e o não lutar contra o pecado, é, lutar contra Deus.

Os penitentes precisam tomar consciência de que não se pode agradar a Deus sem lutar contra o que nos separa dEle. A oração e o sacrifício são instrumentos salutares nesta empreitada, não devemos deixar nunca de combater as mazelas que nos tornam escravos do maligno e inimigos de Deus.

Lutar e lutar deve ser a regra de quem deseja alcançar o cume da espiritualidade cristã, pois todos que se decidem a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo, se tornam soldados de Cristo, nossa batalha é árdua e precisa ser sempre incrementada com a seiva da oração e da penitência.

Viver para Cristo não é impossível, basta que, quem o deseja lute, não importa se você é um soldado que cai, o que implica é que não se entregue, resista, persista almeje ser um bom soldado, ser o líder dos soldados, aquele que ajuda os outros a levantarem e aplica uma injeção de ânimo, pois sozinhos somos fracos, mais juntos somos mais fortes que possamos imaginar.

Para muitos, não existe diferença tudo é a mesma coisa, mas na verdade não é bem assim, existem critérios a serem seguidos para que determinadas ações sejam pecados (e não considerada), pois nem tudo que reluz é ouro, como dizia o velho ditado.

O pecado cega o fiel, e impede que ele perceba que suas ações são maléficas para sua própria alma, ele se deixa enganar pelo canto da sereia, e ai afunda no abismo que o torna cada vez mais distantes de Deus e de sua graça, porém se faz necessário frisar que não é Deus que se afasta de nós, somos nós que automaticamente nos afastamos de Deus,

basta perceber que quando uma alma está em pecado mortal, imediatamente ela perde o apetite da oração, esse é o primeiro passo para se distanciar de Deus. Lembrem-se do comportamento de Adão e Eva, eles depois de cometer o pecado, quis se esconder de Deus, aqui podemos interpretar como distanciar de Deus, porque Deus é luz, e perto da luz minhas ações são tornadas públicas.

Muitas vezes os penitentes formam suas próprias concepções acerca do pecado, e na grande maioria das ocasiões eles erram ao chamar de pecado o que não é nas próximas linhas pretendo demonstrar com exemplos várias coisas que por muito são tidos como pecado.

Várias vezes, por exemplo, alguns ministros extraordinários da comunhão eucarística veio me perguntar se era pecado deixar o ministério, ela acreditava piamente que sim, e que aquele pecado deveria ser confessado, e na verdade não é bem assim. Primeiro que o ministro extraordinário, não é ministro ordenado, segundo porque ninguém é obrigado a fazer um serviço, ele deve ser fruto de doação, e nunca de obrigação. Também já recebi perguntas de pessoas que queriam saber se é pecado deixar de ser da renovação carismática, e novamente esclareci que não, se a pessoa não está gostando do movimento, quem pode obrigar a pessoa a continuar?

E assim, devem existir muitas pessoas por esse mundo a fora que acreditam que determinadas coisas é pecado, mas as mesmas pessoas desconhecem o que realmente é pecado, pois elas, por exemplo, passam um ano sem ir à missa dominical e depois desse tempo elas vão normalmente para a fila da comunhão e isso sim, é um pecado grave, na verdade nenhum fiel católico deveria ir à mesa da comunhão se tem muito tempo sem se confessar.

O pecado é um afastamento de Deus, quando o penitente está em pecado, sobretudo quando está em pecado mortal, ele precisa primeiro buscar o arrependimento sincero e depois a confissão, pois, sem essa ação ele não reatará a amizade com Deus mesmo que ele fique sem repetir o pecado e sem deixar de fazer suas orações.

Nem sempre o vício é um pecado, ele só é pecado quando se refere à matéria que aplaca a ira de Deus, por exemplo, se uma pessoa tem o vício de fumar ela não ofende a Deus, apenas está prejudicando sua saúde, mas se ao fumar a pessoa pensa, "irei fumar para contrair um câncer de estômago" neste caso essa pessoa sim está pecando, pois está desejando o mal para a sua vida.

Se, no entanto, o vício é relacionado à impureza, ai também há matéria grave para a confissão sacramental, pois o pecado da carne é o que mais leva as almas para o inferno, porém existem muitas pessoas que pensam que o pecado da carne é ter relações sexuais com outra pessoa com quem não é casado, mas é muito mais do que somente isso, o pecado contra a castidade é também o pecado solitário (masturbação), o acesso a conteúdo pornográfico também e as conversar imodéstia no mesmo caminho.

A diferença ente o pecado e o vício, é que o pecado, já separa imediatamente a alma de Deus, embora, não esteja ainda condenado, mas separa da amizade com Deus. O vício, no entanto pode ou não também ser pecado, isto vai depender da matéria do vício.

O penitente deve sempre procurar está longe dos extremos, pois da mesma forma que ele pode considerar tudo pecado, também pode considerar que o pecado não existe, e que, tudo está liberado.

A compreensão dos penitentes sobre o pecado dever ser de tal forma que ele entenda que, se privar do pecado não é se privar da sua liberdade, pois foi para ser livres que Nosso Senhor nos libertou das amarras do pecado, mas aqui poderia surgir um questionamento. Se Cristo nos libertou do pecado, para que precisamos lutar contra o pecado? Para melhor compreender essa querela se faz necessário empregar aqui um exemplo: Se um homem mora de aluguel e depois de muito tempo juntando dinheiro ele consegue comprar uma casa, isso significa que ele por ser proprietário da casa não precisa pagar luz, água, telefone, IPTU, taxa de lixo, taxa de esgoto e condomínio se for o caso? Não. Embora a casa seja dele, ele precisa arcar com todas essas despesas, assim, embora Nosso Senhor Jesus Cristo, tenha nos dado a salvação, isso não significa que nós não podemos perdê-la, pois o mesmo Senhor nos disse: "Quem, porém perseverar até o fim esse será salvo", ou seja, Nosso Senhor aqui nos diz que é preciso manter a salvação ganha, pois quem não perseverar pode perder a salvação