A importância da confissão

19/02/2020

Por Frei Marcelo Aquino, O. Carm

O Sacramento da Reconciliação como a segunda chance de Deus para os homens. Mas a segunda chance aqui, não significa que é só uma vez depois do primeiro perdão que você está convidado para procurar a misericórdia de Deus, não. Deus dorme no confessionário lhe esperando, aliás Deus não dorme, como diz o salmista "Ó não dorme nem cochila aquele que é o guarda de Israel" (Sl 121,4), A Igreja, aqui me refiro ao povo de Deus, precisa mergulhar na profundidade do amor de Deus manifestado na administração do sacramento da reconciliação, se faz necessário urgentemente formar os fiéis a respeito da dádiva para a nossa alma, que este sacramento representa.

Primeiramente é salutar fazer saber que o Sacramento da Reconciliação, pode ser chamado de várias formas, sacramento da penitência, sacramento da confissão e o primeiro dito outrora. Saber que todos esses nomes têm seu valor para manifestar o que de fato representa isso em nossa vida. Esse sacramento é da confissão, pois nos leva a obedecer a escritura que diz, "A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados, a quem não perdoardes eles serão retidos" (Jo 20, 23), Nosso Senhor Jesus Cristo disse isso ao colégio dos Apóstolos, ele não disse isso ao povo em geral, portanto, a confissão é legitimada pela escritura, em outras passagens bíblicas se pode encontrar outras recomendações de confissão, porém não podemos esquecer nunca que nós somos católicos e portanto, não exigimos que tudo esteja na bíblia, pois esta é filha da Igreja e não o contrário.

O sacramento da penitência tem razão de assim ser chamado porque neste sacramento, realizamos uma penitência, ninguém vai ao confessionário feliz da vida porque pecou, antes vai com dor n'alma, por ter ofendido a Deus que é sumamente bom e digno de ser amado, como diz o ato de contrição. E por fim o nome oficial, sacramento da reconciliação, e por que esse nome? O nome já responde, porque este sacramento nos proporciona reconciliar com Deus, pois quando caímos no pecado estamos brigados com Deus, como é que um pai sente quando um filho faz aquilo que ele não queria? Feliz ou triste? Se o leitor goza de boa mentalidade, com certeza responderá que é triste, pois o filho deve fazer coisas que agradam ao pai para poder reconciliar-se com ele. Assim acontece conosco, brigados com Deus, estamos privados de sua amizade, então recorremos ao tribunal da misericórdia, o confessionário, e, ali acontece uma ação que confunde a cabeça dos homens,

como é peculiar nas ações de Deus. Mas por que confunde a cabeça dos homens? Porque neste tribunal, diferente do tribunal dos homens, o réu tendo confessado sua culpa, ao invés de ser condenado, é absolvido, isso soa como um completo absurdo nas mentes humanas, onde já se viu, o culpado merece as penas, e não a liberdade, pois é, mas Deus não tem os pensamentos humanos, já dizia o profeta Isaías, "Os pensamentos de Deus estão tão distantes dos vossos pensamentos, como o céu está distante da terra". (Is 55, 8-9)

Aqui abrimos nosso entendimento, se formos honestos intelectualmente, pois se não o formos, vamos continuar repetindo o que o satanás adora ouvir, só Deus pode perdoar pecados, não me confesso com um pecador, com esse tipo de pensamento você caminha a passos largos para as profundezas dos infernos, pois não está seguindo ao desejo de Deus, que todos sejam santos, mas ao ensinamento dos homens que não são infalíveis e, portanto, nos levam à perdição.

Só uma Igreja de ensinamentos infalíveis, tem o privilégio de tornar seus fiéis santos como Deus quer, e um dos caminhos é a confissão dos pecados, mediante o arrependimento dos mesmos.

Pois bem, se todo católico soubesse que quando se confessa, ele é autor de um terremoto nos infernos, ele jamais se esquivaria desse prêmio para n'alma, pois, a alma do católico deve ser como a alma de um guerreiro com vontade de lutar, mas num combate espiritual onde os filhos de Deus lutam para que o maior número possível de almas entre no aprisco de Nosso Senhor Jesus Cristo. A grande alegria do católico, deveria ser, converter os hereges para que mais almas entrem na comunhão com Deus.

E a nossa luta deve começar dentro da Igreja, convertendo "católicos", que não acreditam na eficácia da confissão.

A nossa luta deve ser, para que nunca a vergonha nos prive da reconciliação com Deus, mas que tenhamos em mente que não podemos deixar o juiz da misericórdia lá no tribunal nos esperando para nos dá o conforto da alma, devemos frequentar sempre e em retribuição, manifestarmos nosso amor nas coisas referentes a Deus e nas pessoas que são imagens de Deus.